Imposto Seletivo: como 250% sobre cigarros afeta finanças municipais

O Imposto Seletivo, criado pela reforma tributária e vigente a partir de 2027, cobra até 250% sobre cigarros, 62% sobre bebidas alcoólicas e 32% sobre refrigerantes. Dessa forma, União arrecada tributo federal sobre produtos nocivos à saúde ou meio ambiente, mas municípios enfrentam consequências indiretas que gestores precisam compreender agora.
Apesar de não ser arrecadado diretamente pelas prefeituras, o IS integra contexto amplo da reforma tributária que redistribui receitas entre entes federativos. Ou seja, mudanças no sistema de consumo afetam base de cálculo do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) que municípios compartilharão com estados.
Além disso, transição entre 2026 e 2033 exige que prefeituras adaptem sistemas fiscais, integrem cadastros ao CIB (Cadastro Integrado de Bens) e se preparem para novo modelo de tributação sobre consumo. Logo, mesmo tributo federal tem impactos locais que demandam planejamento imediato.
Por outro lado, alíquotas extrafiscais sobre produtos nocivos podem reduzir consumo, afetando estabelecimentos locais que vendem esses itens. Então, bar que vende principalmente cerveja ou loja especializada em cigarros enfrentarão pressão de custos que pode reduzir atividade econômica municipal.
O que é e como funciona na prática
O Imposto Seletivo segue princípio da seletividade tributária onde alíquota varia conforme nocividade do produto. Dessa forma, quanto mais prejudicial à saúde ou ambiente, maior percentual cobrado sobre valor base.
Cigarros e derivados de tabaco lideram com até 250% de alíquota, refletindo graves danos à saúde pública. Ou seja, produto que custa R$ 10 na produção pode ter R$ 25 adicionais de Imposto Seletivo antes de chegar ao consumidor final.
Bebidas alcoólicas variam entre 46% e 62% conforme teor alcoólico. Logo, destilados com maior graduação pagam percentual superior a cervejas, incentivando consumo de bebidas menos concentradas.
Refrigerantes e bebidas açucaradas enfrentam 32% de alíquota, combatendo epidemia de obesidade e diabetes. Então, lata que custava R$ 3 terá adicional de aproximadamente R$ 1 apenas de IS.
Combustíveis fósseis têm alíquota simbólica de 0,25%, muito inferior a outros produtos. Além disso, essa diferença gerou críticas de ambientalistas que esperavam tributação mais pesada sobre poluentes atmosféricos.
Veículos poluentes, minérios, apostas e jogos de azar também entram na lista. Por outro lado, armas, agrotóxicos e caminhões ficaram de fora apesar de impactos ambientais ou sociais negativos.
Produtos que pagam e exclusões polêmicas
A lista de produtos tributados pelo IS reflete escolhas políticas nem sempre coerentes com discurso ambiental ou de saúde pública.
Cigarros, bebidas alcoólicas e refrigerantes têm consenso científico sobre malefícios. Dessa forma, tributação pesada encontra justificativa técnica sólida em estudos de saúde pública.
Combustíveis fósseis com apenas 0,25% contradizem urgência climática. Ou seja, produto responsável por emissões massivas de carbono recebe tratamento tributário suave demais.
Exclusão de armas gerou debate intenso. Logo, produto letal não é considerado nocivo o suficiente para Imposto Seletivo, refletindo força de lobby específico.
Agrotóxicos também ficaram de fora apesar de impactos ambientais e riscos à saúde. Então, setor agrícola conseguiu manter isenção mesmo com reforma focada em nocividade.
Caminhões escaparam da tributação seletiva embora sejam grandes poluidores. Além disso, argumento de impacto em custos logísticos prevaleceu sobre considerações ambientais.
Por outro lado, apostas e jogos de azar entraram na lista reconhecendo malefícios sociais do vício em jogos. Logo, problema de saúde mental justificou inclusão.
Como afeta prefeituras que não arrecadam
Embora IS seja competência exclusiva da União, municípios sentem impactos indiretos através de múltiplos canais.
Primeiro, IS compõe base de cálculo de CBS e IBS. Dessa forma, valor do produto final sobre o qual incide IBS municipal já inclui Imposto Seletivo. Ou seja, mecânica de cálculo integra tributo federal à arrecadação local.
Segundo, substituição do IPI pelo IS altera distribuição de receitas federais. Logo, parcelas que municípios recebiam via FPM (Fundo de Participação dos Municípios) podem ser afetadas por mudança na composição da arrecadação federal.
Terceiro, transição entre 2026 e 2033 exige adaptações custosas em sistemas fiscais municipais. Então, prefeituras precisam investir em tecnologia, capacitação e integração de cadastros sem necessariamente receber recursos adicionais para isso.
Quarto, redução do consumo de produtos tributados pode diminuir atividade econômica local. Além disso, bar que vende principalmente cerveja ou loja de conveniência dependente de cigarros enfrentarão margens menores.
Por outro lado, compensações via IBS durante transição visam evitar perdas abruptas. Logo, União prometeu que municípios não perderão receitas imediatamente, mas ajustes graduais acontecerão.
Transição 2026-2033: o que gestores devem fazer
Período de transição de sete anos permite adaptação gradual, mas exige ações imediatas dos municípios.
Integração ao CIB (Cadastro Integrado de Bens) é mandatória. Dessa forma, todos produtos sujeitos a tributação sobre consumo precisam estar registrados em sistema unificado nacional.
Capacitação de servidores municipais em novo modelo tributário não pode esperar 2027. Ou seja, equipes técnicas precisam entender agora como CBS, IBS e IS interagem para orientar contribuintes corretamente.
Sistemas de informática fiscais municipais exigem atualizações para processar novo modelo. Logo, contratos com fornecedores de software precisam incluir adequações ao IBS e integração com sistemas federais.
Monitoramento de impactos na economia local deve começar imediatamente. Então, prefeituras precisam identificar setores vulneráveis a IS para planejar políticas de apoio ou diversificação econômica.
Comunicação com contribuintes locais sobre mudanças evita surpresas. Além disso, bares, restaurantes, lojas de conveniência e postos de combustível precisam entender novo sistema antes de entrar em vigor.
Por outro lado, municípios dependentes de ISS de setores afetados devem diversificar base tributária. Logo, cidade com arrecadação concentrada em estabelecimentos que vendem produtos seletivos enfrentará pressão fiscal.
Impactos setoriais que municípios sentirão
Bares e restaurantes enfrentarão custos maiores com bebidas alcoólicas tributadas entre 46% e 62%. Dessa forma, margens de lucro cairão ou preços ao consumidor subirão, potencialmente reduzindo movimento.
Tabacarias e lojas de conveniência dependentes de cigarros sofrerão impacto de 250% de IS. Ou seja, produto que já é altamente tributado ficará ainda mais caro, reduzindo vendas e margem de lucro.
Postos de combustível terão impacto limitado pela baixa alíquota de 0,25% sobre fósseis. Logo, setor foi poupado de pressão tributária pesada que poderia elevar custos de transporte significativamente.
Supermercados que vendem refrigerantes verão 32% de IS em bebidas açucaradas. Então, categoria importante de margem enfrentará redução de demanda ou necessidade de absorver parte do custo.
Casas de apostas e jogos de azar pagarão IS reconhecendo malefícios sociais. Além disso, municípios com grande presença desses estabelecimentos podem ver redução de atividade e consequentemente de ISS.
Por outro lado, setores não afetados por IS podem ganhar competitividade relativa. Logo, água mineral, sucos naturais e bebidas não açucaradas ficam mais atraentes comparadas a refrigerantes tributados.
Críticas e incoerências apontadas por especialistas
Exclusão de armas contradiz discurso de tributar nocividades. Dessa forma, produto letal não entra enquanto refrigerante sim, gerando questionamentos sobre coerência do critério.
Agrotóxicos ficarem de fora enquanto reforma tributa nocividade ambiental parece incoerente. Ou seja, produtos químicos com impactos documentados em saúde e ambiente escaparam por pressão política.
Alíquota simbólica de 0,25% sobre combustíveis fósseis não desestimula uso. Logo, objetivo extrafiscal não se realiza quando tributação é baixa demais para afetar comportamento.
Caminhões poluentes excluídos protegem logística, mas contradizem metas ambientais. Então, veículos com grandes emissões ficam isentos enquanto carros particulares podem pagar.
Por outro lado, lista pode ser ampliada por lei complementar futuramente. Além disso, mecanismo permite correções conforme experiência prática revele necessidade.
O Imposto Seletivo cobra 250% sobre cigarros, 62% sobre bebidas e 32% sobre refrigerantes a partir de 2027. Municípios não arrecadam diretamente, mas sofrem impactos via integração com IBS, adaptação de sistemas e pressão sobre economia local. Transição 2026-2033 exige ações imediatas: integrar CIB, capacitar servidores, atualizar sistemas. Exclusões de armas e agrotóxicos geram críticas. Gestores municipais precisam se preparar agora para reforma que afeta finanças locais mesmo sendo tributo federal.
