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Setor Público e inteligência artificial: Nos EUA, 57% exploram, apenas 2% implementam

Texto adaptado de smartcitiesdive.com

Uma pesquisa da Euna Solutions com 58 líderes de finanças e operações do setor público americano revela paradoxo: 57% estão explorando inteligência artificial, mas apenas 2% implementaram IA amplamente em seus departamentos.

Mais preocupante: somente 16% estão testando projetos-piloto ativamente.

“Os achados deste relatório mostram forte interesse, mas adoção cautelosa”, afirma Tom Amburgey, CEO da Euna Solutions. “Risco, políticas pouco claras, sistemas legados e largura de banda limitada desaceleram progresso, mas líderes estão ansiosos para aprender e mover-se cuidadosamente”.

Se Estados Unidos, com orçamentos robustos, infraestrutura tecnológica avançada e regulamentação em desenvolvimento, enfrenta esses desafios, o que dizer do Brasil?

Obstáculos americanos

1. Preocupações com privacidade e segurança (57%)

Principal barreira citada por gestores públicos. Dados governamentais são sensíveis: CPFs, informações médicas, registros criminais, documentos fiscais.

Inteligência artificial generativa pode:

  • Vazar dados em respostas
  • Ser treinada com informações confidenciais
  • Criar vulnerabilidades de segurança cibernética
  • Violar leis de privacidade (LGPD, GDPR, HIPAA)

2. Falta de diretrizes federais e estaduais (48%)

Gestores públicos não sabem:

  • Quais usos de IA são permitidos?
  • Como garantir conformidade?
  • Quem é responsável por erros da IA?
  • Como auditar decisões automatizadas?

Sem marco regulatório claro, decisão de adotar IA é arriscada politicamente.

3. Tecnologia ultrapassada (37%)

Sistemas legados não integram com ferramentas modernas de IA. Governos usam:

  • Software de décadas atrás
  • Bancos de dados fragmentados
  • Infraestrutura on-premise obsoleta
  • Formatos de arquivo incompatíveis

4. Falta de recursos (37%)

Orçamentos apertados não comportam:

  • Licenças de software de IA
  • Consultoria especializada
  • Treinamento de equipes
  • Infraestrutura de computação (GPUs, cloud)

Casos de sucesso com inteligência artificial nos EUA

São Francisco: 30 mil funcionários com acesso

Em 2024, cidade disponibilizou ferramentas de IA para 30 mil servidores municipais para:

  • Análise de dados
  • Resumo de memorandos
  • Pesquisa em documentos
  • Rascunhos de relatórios

Resultado: Redução de horas gastas em tarefas repetitivas, liberando servidores para trabalho estratégico.

Bellingham e Everett (Washington)

Cidades empregam IA para:

  • Rascunho de documentos
  • Pesquisa legislativa
  • Elaboração de políticas internas

Focam em transparência: todos os usos de IA são documentados e auditáveis.

Expectativas dos gestores americanos

O que esperam da inteligência artificial?

68%: Mais produtividade e economia de tempo

29%: Auxílio em geração de projetos

27%: Previsões e planejamento de cenários

25%: Pesquisa de bolsas/subsídios

Como medem sucesso?

40%: Horas de trabalho economizadas 16%: Melhoria de conformidade regulatória 14%: Redução de custos 13%: Velocidade de processamento

“IA funciona quando remove fricção de fluxos críticos de trabalho”, afirma relatório. “Resolver esses dilemas seculares liberaria servidores para focar em trabalho crítico à missão”.

Brasil: contexto mais desafiador

1. Orçamentos mais apertados

Município americano médio tem orçamento per capita 10-20x maior que brasileiro. Investimento em IA compete com:

  • Saúde
  • Educação
  • Infraestrutura básica
  • Folha de pagamento

2. Infraestrutura tecnológica pior

Sistemas legados americanos são ultrapassados. Brasileiros são inexistentes em muitos municípios.

Prefeituras pequenas:

  • Usam planilhas Excel para tudo
  • Não têm sistema integrado de gestão
  • Internet instável
  • Computadores de 10+ anos

3. Capacitação técnica menor

Servidores públicos brasileiros raramente têm formação em:

  • Ciência de dados
  • Programação
  • Análise estatística
  • Gestão de TI

EUA têm escassez de talentos. Brasil tem deserto.

4. Regulamentação ainda mais vaga

EUA têm debate sobre IA no Congresso e ordens executivas. Brasil tem:

  • PL 2338/2023 tramitando há anos
  • Ausência de diretrizes específicas para setor público
  • TCUs e TCEs sem normatização sobre auditoria de IA

5. Pressão fiscal crônica

Municípios brasileiros gastam 95%+ do orçamento com pessoal e custeio obrigatório. Sobra migalha para investimento.

Casos brasileiros pontuais

Curitiba: chatbot de atendimento

Assistente virtual Curitiba 156 usa IA para:

  • Responder dúvidas frequentes
  • Direcionar demandas
  • Agendar serviços

Redução de 30% em chamadas humanas.

São Paulo: detecção de fraudes fiscais

Secretaria da Fazenda usa machine learning para:

  • Identificar sonegação
  • Cruzar dados de notas fiscais
  • Detectar empresas fantasmas

Rio de Janeiro: previsão de demanda em saúde

IA prevê demanda por leitos hospitalares com base em:

  • Histórico de atendimentos
  • Sazonalidade
  • Eventos climáticos

Melhor alocação de recursos.

Recife: Análise de Imagens Aéreas

Drone + IA detectam:

  • Construções irregulares
  • Desmatamento
  • Ocupações em áreas de risco

O que o Brasil pode aprender dos EUA sobre inteligência artificial

1. Comece com casos de uso simples

São Francisco não tentou revolucionar tudo. Afinal, deu acesso a ferramentas para resumir textos e analisar dados.

Brasil pode começar com:

  • Chatbots para atendimento 156
  • OCR para digitalização de documentos
  • Classificação automática de processos

2. Priorize segurança desde o início

57% dos gestores americanos citam segurança como barreira. No Brasil, lei de proteção de dados (LGPD) é mais rigorosa que nos EUA.

Ferramentas de IA devem:

  • Rodar em servidores nacionais
  • Não enviar dados para exterior sem consentimento
  • Ter logs auditáveis
  • Permitir exclusão de dados

3. Estabeleça governança clara

Quem pode usar IA? Para quê? Com quais limitações?

São Francisco criou comitê de IA com representantes de:

  • TI
  • Jurídico
  • Privacidade
  • Departamentos usuários

Brasil precisa de:

  • Portarias municipais regulamentando uso
  • Treinamento obrigatório antes de acesso
  • Auditoria trimestral de usos

4. Meça resultados objetivamente

40% dos americanos medem sucesso por horas economizadas.

Brasil deve:

  • Definir KPIs antes de implementar
  • Comparar antes/depois
  • Publicar resultados
  • Ajustar ou descontinuar se não funcionar

5. Capacite servidores

Não adianta comprar ferramenta se ninguém sabe usar.

Invista em:

  • Cursos online (ENAP oferece gratuitos)
  • Comunidades de prática
  • Documentação em português
  • Suporte técnico acessível

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