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5 erros de gestão que impedem uma cidade de se tornar inteligente

Quem acompanha o avanço das cidades inteligentes sabe que não existe transformação sem boa gestão pública. As soluções tecnológicas já existem, o que falta, muitas vezes, é uma liderança comprometida com eficiência, dados e resultado. E o mais curioso: os maiores obstáculos não são problemas técnicos, mas sim erros de gestão repetidos por prefeitos e gestores Brasil afora.

Gestores que querem entregar uma cidade conectada, eficiente e com qualidade de vida precisam reconhecer e corrigir essas falhas. Até porque cidades inteligentes não se constroem com discursos, mas com decisões baseadas em evidência, com foco em resolver os problemas da população. A seguir, estão cinco erros de gestão que atrasam esse processo.

Falta de planejamento de longo prazo

Muitos prefeitos governam pensando apenas no ciclo de quatro anos. Isso gera decisões apressadas e sem continuidade. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), menos de 30% dos municípios brasileiros têm um plano estratégico de longo prazo. Sem esse tipo de visão, não há como implementar soluções integradas, como sistemas de mobilidade urbana ou plataformas de dados abertos, que são base das cidades inteligentes.

Desconhecimento sobre dados e tecnologia

Outro erro comum é ignorar o poder dos dados. Em 2023, a Confederação Nacional dos Municípios mostrou que 40% das cidades ainda usam planilhas manuais ou papel para gerir informações básicas. Isso impede qualquer avanço em áreas como saúde, educação ou segurança pública. Cidades inteligentes usam dados para prever problemas, alocar recursos e tomar decisões mais rápidas. Sem isso, a gestão fica cega.

Resistência à inovação e burocracia excessiva

A burocracia continua sendo um freio. Muitos projetos modernos esbarram em regras antigas e processos lentos. Quando a inovação chega, a máquina pública trava. É por isso que menos de 20% das cidades brasileiras conseguiram implementar sistemas de prontuário eletrônico 100% integrados, segundo o IBGE. Essa resistência a mudar também é um erro de gestão que afasta investimentos e parcerias estratégicas.

Comunicação ineficiente com o cidadão

Não adianta modernizar os sistemas se a população não entende ou não participa do processo. Cidades inteligentes envolvem o cidadão em decisões e feedbacks. Mas a maioria dos municípios ainda se comunica de forma unidirecional. Aplicativos de ouvidoria, painéis de transparência e plataformas participativas são raros. Sem escutar o que as pessoas realmente precisam, a gestão erra o alvo.

Falta de capacitação das equipes

Por fim, um dos erros de gestão mais ignorados: profissionais despreparados para o mundo digital. Não adianta contratar softwares caros se os servidores não sabem usá-los. Segundo o TCU, 61% dos municípios têm dificuldade em contratar ou capacitar equipes técnicas. Para alcançar o padrão de uma cidade inteligente, é preciso investir em gente, não apenas em tecnologia.

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