Pavimentação inteligente: asfalto de cana é 30% mais durável

Enquanto dirigimos, raramente pensamos no asfalto. Mas sob nossos pneus, uma revolução tecnológica está acontecendo: asfalto derivado de cana-de-açúcar com 30% mais durabilidade, estradas que geram eletricidade pelo movimento de veículos, pavimentos que absorvem chuva para evitar enchentes.
No Brasil, asfalto com cinza de bagaço de cana melhorou resistência à tração em quase 30% e reduziu deformações permanentes em 11-28%. Na Coreia do Sul, pavimentos piezoelétricos convertem pressão de veículos em eletricidade. Na Holanda, “estradas que bebem água” previnem inundações.
Bem-vindo à era da pavimentação inteligente.
Brasil: da cana ao asfalto
BR-356 (RJ): 50 metros que provam o conceito
Projeto piloto na BR-356 testou asfalto de cana em trecho de 50 metros, confirmando superioridade em resistência mecânica após 6 meses. O engenheiro Cláudio Leal, do Instituto Federal Fluminense, comprovou que bagaço de cana substitui fibra de celulose obtida da madeira.
“A principal vantagem do bagaço de cana em relação às outras fibras é o custo significativamente inferior“, afirma Leal. “Além disso, contribui para desenvolvimento sustentável”.
Como funciona
O bagaço é usado como aditivo estabilizante em asfalto tipo SMA (Stone Matrix Asphalt), empregado em:
- Rodovias de tráfego intenso
- Aeroportos
- Autódromos
- Áreas de carga/descarga
- Pavimentos perpétuos
“Em função do contato grão a grão das britas maiores, o SMA é mais resistente a deformações permanentes do que misturas convencionais”, explica Leal.
Os números do bagaço
- Produção de açúcar/álcool gera 270 kg de bagaço por tonelada de cana moída
- Safra brasileira produz 132 milhões de toneladas de bagaço/ano
- Maior parte é queimada para energia, mas 20% são rejeitados
Aproveitamento é simples: bagaço precisa apenas ser seco e peneirado.
BR-158
Entre Campo Mourão e Maringá, rodovia recebeu asfalto com cinza de bagaço de cana substituindo pó-de-pedra. Vinícius Hipólito, engenheiro pesquisador da Conasa Infraestrutura, liderou o projeto:
Resultados:
- Resistência comprovada na prática
- Custos reduzidos
- Desempenho superior ao tradicional
- Solução para ser adotada em larga escala
Pesquisa foi publicada na revista internacional Scientific Reports, colocando Brasil em destaque.
CAP Borracha: pneus viram estrada
Rodovia dos bandeirantes: silêncio e durabilidade
Pavimento utiliza asfalto borracha sustentável que:
- Absorve ruído dos pneus
- Escoa água rapidamente
- Aumenta vida útil em até 40%
- Corta custos em 15-25%
Tecnologia substitui até 30% do asfalto novo com borracha reciclada de pneus.
“O asfalto impecável conecta fazendas de Ribeirão Preto ao porto de Santos sem destruir suspensão das carretas”, observa análise especializada.
Polímeros: SBS e HiMA™
Aditivos como polímeros SBS ou HiMA™:
- Otimizam desempenho à fadiga
- Permitem espessuras menores
- Reduzem emissão de GEE
Estudos da UFSM validam asfalto modificado por polímeros como economicamente vantajoso para infraestrutura rodoviária.
Belém: vias inteligentes para COP-30
Iniciativas para COP-30 em Belém integram:
- Pavimentação com sensores
- Wi-Fi público
- Gestão de tráfego em tempo real
- Monitoramento preditivo
Tecnologias pelo mundo
Holanda
Projeto “Roads that Drink”:
- Pavimentos porosos absorvem chuva
- Previnem inundações
- Iluminação LED adaptativa para segurança noturna
Japão
Pavimentos integram sensores para:
- Monitorar tráfego
- Avaliar condições da via em tempo real
- Testes com superfícies que geram energia pelo movimento de veículos
Estados Unidos
Califórnia e Flórida usam:
- Concreto reciclado
- Gestão de água pluvial
- Sensores para dados climáticos e de tráfego
- Manutenção preditiva
Alemanha
Desenvolve rodovias com:
- Sensores integrados
- Materiais duráveis
- Projetos “Solar Roads” captando energia solar
Coreia do Sul
Tecnologia mais avançada:
- Convertem pressão de veículos em eletricidade
- Monitoram tráfego
- Reduzem emissões de carbono
- Alimentam iluminação pública
